{"id":1657,"date":"2021-11-17T03:25:00","date_gmt":"2021-11-17T03:25:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.luxurymarketreview.com\/?p=1657"},"modified":"2024-10-22T03:28:15","modified_gmt":"2024-10-22T03:28:15","slug":"criatividade-na-pratica-profissional-em-arquitetura-e-design","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.luxurymarketreview.com\/pt\/2021\/11\/17\/criatividade-na-pratica-profissional-em-arquitetura-e-design\/","title":{"rendered":"Criatividade na pr\u00e1tica profissional em Arquitetura e Design"},"content":{"rendered":"<p><strong>Eric Zompero \u2013 <\/strong>Arquiteto | Designer | Educador<\/p>\n\n\n\n<p>EIDEA Educa\u00e7\u00e3o e Inova\u00e7\u00e3o em Design, Engenharia e Arquitetura<br>QZA &#8211; Arquitetura, Design e Consultoria<br><br>eric<em>@qza.com.br<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Resumo:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Criatividade, repert\u00f3rio, processos criativos s\u00e3o essenciais tanto na vida acad\u00eamica quanto nas atividades profissionais de \u00e1reas como Arquitetura, Urbanismo, Design e Artes Pl\u00e1sticas. Claro que em todas as pr\u00e1ticas a a\u00e7\u00e3o criativa deve estar presente, mas s\u00e3o nessas que a exig\u00eancia se torna primordial.<\/p>\n\n\n\n<p>Esse texto mostra algumas pesquisas na \u00e1rea, assim como t\u00e9cnicas conhecidas e disseminadas pelos autores que se dedicam a essa pesquisa.<\/p>\n\n\n\n<p>Palavras-chave: Arquitetura. Design. Psicologia. Artes pl\u00e1sticas. Processo criativo. Criatividade. Repert\u00f3rio.<\/p>\n\n\n\n<p>#educacao #arte #arquitetura #design #psicologia #ensino-aprendizagem #processocriativo #criatividade # repert\u00f3rio.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Considera\u00e7\u00f5es iniciais.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 senso comum, ou uma manifesta\u00e7\u00e3o leiga, que o ato criativo \u00e9 inerente aos profissionais de \u00e1reas consideradas criativas, como a Arquitetura e o Design. Parece inclusive ser uma exig\u00eancia a esses profissionais, muitas vezes exigidas e admiradas. Esses profissionais s\u00e3o considerados dotados de uma capacidade \u00edmpar de \u201cser criativo\u201d, capazes de transmutar e em realidade os sonhos dos clientes, agregadores de dimens\u00f5es objetivas e subjetivas, e toda uma s\u00e9rie de afirma\u00e7\u00f5es deveras exageradas. Obviamente essa concep\u00e7\u00e3o do \u201carquiteto-deus\u201d, perpetuado nos s\u00e9culos passados j\u00e1 se diluiu na sociedade atual, mas a necessidade de mostrar-se como criativo nas \u00e1reas citadas, continua ser um diferencial exigido. A quest\u00e3o \u00e9 se essa capacidade pode ser aprendida ou \u00e9 derivada de pr\u00e9-forma\u00e7\u00f5es neurais heredit\u00e1rias.<\/p>\n\n\n\n<p>As a\u00e7\u00f5es criativas, s\u00e3o pesquisadas desde a antiguidade, havendo refer\u00eancias na hist\u00f3ria da filosofia e psicologia. \u00c9 pesquisada por diversos autores, de diversas origens, como, considerando apenas as refer\u00eancias consultadas, BERZBACH (2013), STERNBERG (2009), CASTELO FILHO (2015), CSIKSENTMIHALY (2019), ALENCAR (2009), entre outros que originaram essas pesquisas. A maioria dessas demonstram a dimens\u00e3o criativa como algo ca\u00f3tico, mas n\u00e3o aleat\u00f3ria, pertencente ao mundo complexo, ou \u201co tecido de acontecimentos, a\u00e7\u00f5es, intera\u00e7\u00f5es, retroa\u00e7\u00f5es, determina\u00e7\u00f5es, acasos, que constituem nosso mundo fenom\u00eanico\u201d, conforme MORIN (p.13, 2007), uma breve descri\u00e7\u00e3o do que poder\u00edamos considerar repert\u00f3rio, citado adiante. A quest\u00e3o ca\u00f3tica e sua correla\u00e7\u00e3o com o aleat\u00f3rio, \u00e9 desmistificada tanto pela complexidade quando pela matem\u00e1tica, \u201cO cora\u00e7\u00e3o do caos \u00e9 matematicamente acess\u00edvel\u201d, conforme afirma GLEICK (p. 35, 1991). O ato criativo \u00e9 complexo, mas n\u00e3o fortuito, pois possui rela\u00e7\u00f5es circunstanciais objetivas. De acordo com MANSOURI (2009): \u201cO postulado da dimens\u00e3o ca\u00f3tica \u00e9 parte da natureza do processo explora\u00e7\u00e3o, sele\u00e7\u00e3o e desenvolvimento exponencial ao n\u00edvel de uma infinidade de possibilidades e combina\u00e7\u00f5es\u201d, descrevendo preliminarmente, algumas caracter\u00edsticas do processo criativo.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Criatividade e o processo criativo.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Definir de modo objetivo e un\u00e2nime o que \u00e9 criatividade, \u00e9 praticamente imposs\u00edvel. N\u00e3o h\u00e1 um consenso entre os autores e pesquisadores do tema, seja psic\u00f3logo, educador, psiquiatra, fil\u00f3sofo ou neurologista. A criatividade \u00e9 relativa em sua origem, \u00e9 decorrente de seu tempo, de sua era, do que \u00e9 considerado \u201cnovo\u201d na proposta em que se insere, resultado de um contexto, ou de uma determinada sociedade, ou cultura, ou uma \u00e1rea espec\u00edfica da ci\u00eancia, ou talvez de um grupo de pessoas.<\/p>\n\n\n\n<p>Consequentemente, de um modo geral, pode-se definir a criatividade como o \u201cprocesso de produzir algo que seja original e v\u00e1lido ao mesmo tempo&#8230; Pode ser uma teoria, uma dan\u00e7a, um composto qu\u00edmico, um processo ou um procedimento, uma hist\u00f3ria, uma sinfonia ou quase tudo o mais.\u201d (STERNBERG, p.420, 2010). Criar \u00e9 abrangente, e n\u00e3o propriedade de uma ou outra disciplina, criatividade existe no meio art\u00edstico e cient\u00edfico, na cria\u00e7\u00e3o de uma teoria ou em uma receita de bolo.<\/p>\n\n\n\n<p>Assim, segundo ALENCAR (2009), \u201co processo criativo deve ser entendido, portanto, como resultado da intera\u00e7\u00e3o de fatores individuais e ambientais, que envolvem aspectos cognitivos, sociais, culturais e hist\u00f3ricos.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Sobre o processo criativo, a estrutura proposta por BERZBACH (2013), resume grande parte das propostas dos pesquisadores que se debru\u00e7am no tema, e, embora haja pequenas diferen\u00e7as conceituais para cada uma das fases descritas abaixo, entre os autores, todos de certa forma consideram essas mesmas, com pequenas altera\u00e7\u00f5es. Assim, de forma simplificada, s\u00e3o essas as cinco fases para que o processo criador seja efetuado:<\/p>\n\n\n\n<ol class=\"wp-block-list\">\n<li>Prepara\u00e7\u00e3o, \u00e9 a fase de coleta de informa\u00e7\u00f5es, de aquisi\u00e7\u00e3o de repert\u00f3rio, sendo esse simples ou complexo, espec\u00edfico ou generalista. No \u201cDouble Diamond\u201d, desenvolvido pelo British Design Council em 2004, seria a fase de gatilho, de descobertas. \u00c9 uma fase divergente, com in\u00fameras possibilidades de prospec\u00e7\u00e3o e explora\u00e7\u00e3o. Buscam-se perguntas, n\u00e3o respostas; buscam-se ideias, n\u00e3o conven\u00e7\u00f5es ou predefini\u00e7\u00f5es. \u00c9 uma fase que deve ser paciente, em diferentes escalas, pode durar horas, dias ou estar presente do dia a dia do profissional de cria\u00e7\u00e3o. \u00c9 gradativo e se perpetua atrav\u00e9s do tempo, por meio de informa\u00e7\u00f5es assimiladas no c\u00e9rebro do participante, ou atrav\u00e9s de metodologia e tecnologias dispon\u00edveis.<\/li>\n\n\n\n<li>Incuba\u00e7\u00e3o, \u00e9 onde todo o repert\u00f3rio adquirido na fase anterior come\u00e7a seu prop\u00f3sito de concatenar-se, de juntar cada pequeno grupo de informa\u00e7\u00f5es e formular poss\u00edveis ideias, atrav\u00e9s de um tempo proposto, de forma inconsciente ou consciente. Incubar uma ideia \u00e9 prepar\u00e1-la e ao mesmo tempo desligar-se dela, deixar que os processos psicol\u00f3gicos interiores desenvolvam suas estrat\u00e9gias de sobrepor al\u00e9m do \u00f3bvio. Deve-se confiar que as ideias vir\u00e3o, de modo calmo, conciso e tranquilo. Conforme conta BERZBACH (2013), \u201co cineasta David Lynch disse que muitas vezes simplesmente se sentava em uma poltrona sem fazer nada, e, aos poucos, surgiam tem\u00e1ticas e imagens, que espontaneamente aproveitava e desenvolvia\u201d. \u00c9 um per\u00edodo de devaneio, de paz, um momento \u00fanico onde as possibilidades se sobrep\u00f5em. N\u00e3o \u00e9 m\u00e1gico, mas sim uma consequ\u00eancia de todo processo cerebral em dire\u00e7\u00e3o ao ato criativo.<\/li>\n\n\n\n<li>Ilumina\u00e7\u00e3o \u00e9 uma daquelas constantes que parecem fantasia quando contadas atrav\u00e9s de hist\u00f3rias ou cita\u00e7\u00f5es, como o \u201ceureca\u201d do matem\u00e1tico grego Arquimedes, o qual, ao resolver um dilema proposto pelo rei Hier\u00e3o, saiu gritando \u201ceureca\u201d, algo como \u201cdescobri\u201d ou \u201cencontrei\u201d. Essa inspira\u00e7\u00e3o \u00e9 decorrente de muito trabalho, de muitas considera\u00e7\u00f5es e informa\u00e7\u00f5es dispostas, n\u00e3o \u00e9 algo s\u00fabito ou m\u00e1gico. Como nesse caso da cria\u00e7\u00e3o, \u00e9 resultado dos processos de prepara\u00e7\u00e3o e incuba\u00e7\u00e3o. A ilumina\u00e7\u00e3o pode criar muitas respostas, nem todas corretas, mas tamb\u00e9m decorrentes do processo, erros fazem parte do processo e atrav\u00e9s deles novas realidades podem ser observadas, levando o pensamento para algo maior e mais complexo, que enfim podem concluir em resultados promissores e construtores de novos conhecimentos.<\/li>\n\n\n\n<li>Realiza\u00e7\u00e3o. Implantar uma ideia muitas vezes \u00e9 complicado, pois pode envolver in\u00fameras a\u00e7\u00f5es, algumas vezes iterativas, repetitivas, divergentes, verdadeiros desafios, j\u00e1 que uma ideia est\u00e1 em um universo amplo e mut\u00e1vel, e deve fixar-se na realidade, envolvendo inumer\u00e1veis condicionantes. Envolve custos, recursos, pessoas, tempo, energia e condi\u00e7\u00f5es psicol\u00f3gicas dos envolvidos. \u00c9 o ato projetual cru, \u00e9 a formaliza\u00e7\u00e3o f\u00edsica do ato criativo, do pensamento inerente, da ideia em seu cerne exposto \u00e0 realidade.<\/li>\n\n\n\n<li>Verifica\u00e7\u00e3o, afinal o projeto constru\u00eddo ainda n\u00e3o est\u00e1 finalizado e nem \u00e9 o \u00e1pice da cria\u00e7\u00e3o do projetista. Deve ser revisto, analisado, compreendido em sua realidade de uso, sem considera\u00e7\u00f5es eg\u00f3icas ou defensivas. A consolida\u00e7\u00e3o f\u00edsica da ideia n\u00e3o \u00e9 o t\u00e9rmino da rela\u00e7\u00e3o com o projetista, sua revis\u00e3o \u00e9 aquisi\u00e7\u00e3o de informa\u00e7\u00f5es resultantes do uso, portanto novas e capazes para novos insights. \u00c9 a retroalimenta\u00e7\u00e3o do repert\u00f3rio. BERZBACH (2013) disp\u00f5e sobre essa quest\u00e3o, \u201c&#8230; quando uma equipe consegue, nessa \u00faltima fase do processo criativo, separar o lado intelectual do lado emocional da cr\u00edtica, ent\u00e3o qualquer corre\u00e7\u00e3o tornar\u00e1 seu produto melhor.\u201d<\/li>\n<\/ol>\n\n\n\n<p>S\u00e3o essas fases que, tanto em programas did\u00e1ticos de cursos como Arquitetura e Design, quanto na pr\u00e1tica profissional, podem (e n\u00e3o \u201cdevem\u201d, pois todo processo criativo \u00e9 aberto) serem considerados, nas pr\u00e1ticas profissionais e acad\u00eamicas.<\/p>\n\n\n\n<p>Especificamente na quest\u00e3o profissional, as atividades de cada uma dessas \u00e1reas, nas devidas fases de cria\u00e7\u00e3o, s\u00e3o assumidas em muitos escrit\u00f3rios por muitos profissionais, sendo essa sequ\u00eancia um m\u00e9todo de projeta\u00e7\u00e3o, resumidamente da seguinte forma: na entrada de um novo projeto (de arquitetura, design ou artes pl\u00e1sticas), \u00e9 feito uma an\u00e1lise e toda uma pesquisa \u00e9 realizada para verificar possibilidades projetuais (fase de Prepara\u00e7\u00e3o); em seguida \u00e9 sintetizado todo o novo conhecimento adquirido em testes, esbo\u00e7os e possibilidades, \u00e9 a fase de insights projetivos (fase de Incuba\u00e7\u00e3o e Ilumina\u00e7\u00e3o); ent\u00e3o, ap\u00f3s todos os procedimentos de constru\u00e7\u00e3o para o real, \u00e9 feita a realiza\u00e7\u00e3o da comunica\u00e7\u00e3o da ideia formalizada em projeto para posterior constru\u00e7\u00e3o (fase de Realiza\u00e7\u00e3o). Enfim, tanto em Arquitetura e Design, h\u00e1 a chamada Avalia\u00e7\u00e3o P\u00f3s-Uso, ou P\u00f3s-Obra, onde o elemento realizado \u00e9 analisado para que seja feito uma retroalimenta\u00e7\u00e3o do conhecimento.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Repert\u00f3rio.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Repert\u00f3rio, de forma suscinta, est\u00e1 ligado \u00e0 aquisi\u00e7\u00e3o de conhecimento e constru\u00e7\u00e3o de mem\u00f3ria, \u00e9 derivado do processo cognitivo do aprendizado. Assim, qualquer informa\u00e7\u00e3o adquirida pelos sensores perif\u00e9ricos de um indiv\u00edduo, \u00e9 assimilada, interpretada e guardada para posteriormente ser utilizada de alguma forma. Isso vale para tudo, e para o tempo todo, quanto mais experi\u00eancias, mais estudos, mais intera\u00e7\u00e3o com o mundo e pessoas, maior o repert\u00f3rio. O repert\u00f3rio est\u00e1 em constante constru\u00e7\u00e3o e atualiza\u00e7\u00e3o, e pode ser mudado, concatenado, exclu\u00eddo e reconstitu\u00eddo. Est\u00e1 claramente atado \u00e0s a\u00e7\u00f5es, pensamentos e atos criativos, \u00e9 a jun\u00e7\u00e3o e fixa\u00e7\u00e3o dessas informa\u00e7\u00f5es que produzir\u00e3o algo novo, quanto maior o repert\u00f3rio, maior a capacidade de interrela\u00e7\u00f5es e, portanto, de novas cria\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>O repert\u00f3rio, a fim de criar algo, deve ser diversificado, assim, utilizando uma afirma\u00e7\u00e3o da \u00e1rea da inform\u00e1tica, a Lei da Variedades de Requisitos, do psiquiatra ingl\u00eas Ross Ashby, \u201cvariedade absorve variedade, define o n\u00famero de estados necess\u00e1rios de um controlador controlar um sistema de um determinado n\u00famero de estados\u201d, considerando o processamento de informa\u00e7\u00f5es coletadas em nossa exist\u00eancia, um pensamento complexo necessita de complexidade para se desenvolver, assim, quando maior e mais complexo o estado do repert\u00f3rio da pessoa, maior as possibilidade de cria\u00e7\u00e3o, de criar sa\u00eddas atrav\u00e9s dos insumos adquiridos. Aprender \u00e0 partir de informa\u00e7\u00f5es adquiridas, \u00e9 o modo de expandir o repert\u00f3rio, tanto de pr\u00e1tica quanto te\u00f3rico, \u00e9 ampliar possibilidades e escolhas, perpetuando o ato da cria\u00e7\u00e3o perpetuamente.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Criatividade e liga\u00e7\u00e3o intr\u00ednseca com repert\u00f3rio.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Diante do previamente exposto, toma-se a a\u00e7\u00e3o criativa como decorrente do repert\u00f3rio pessoal de cada indiv\u00edduo, \u201cindiv\u00edduos altamente criativos trabalham com muito afinco e dedica\u00e7\u00e3o&#8230; Em seguida, aproveitam aquilo que conhecem e divergem do conhecimento para criar m\u00e9todos e produtos inovadores.\u201d (STERNBERG, p.422, 2010). Assim, \u00e9 facilmente observ\u00e1vel na pr\u00e1tica profissional, por exemplo, que os profissionais que possuem maior curiosidade, maior vocabul\u00e1rio, interesse na busca de refer\u00eancias e estudos de caso, possuem um repert\u00f3rio que contribuir\u00e1 para o desenvolvimento de projetos mais criativos e inovadores.<\/p>\n\n\n\n<p>Outras aproxima\u00e7\u00f5es referentes \u00e0 criatividade podem ser citadas, como relacionar a criatividade \u00e0 capacidade de processamento de informa\u00e7\u00f5es de um indiv\u00edduo, ou \u00e0 processos mn\u00e9sicos, nesse \u00faltimo caso refor\u00e7ando a quest\u00e3o da rela\u00e7\u00e3o intr\u00ednseca com o repert\u00f3rio.<\/p>\n\n\n\n<p>Outra abordagem \u00e9 o papel da filosofia pessoal no desenvolvimento criativo, relacionado \u00e0 aceita\u00e7\u00e3o global de quest\u00f5es sociais, culturais, \u00e9tnicas, entre outros. Al\u00e9m da motiva\u00e7\u00e3o, intr\u00ednseca e extr\u00ednseca. \u201cOs indiv\u00edduos criativos, em particular, tendem a ser mais abertos \u00e0 novas experiencias, a demonstrar autoconfian\u00e7a, e aceitar a si mesmos, a ser impulsivos, ambiciosos, impulsionados, dominantes e hostis do que os menos criativos.\u201d (STERNBERG, p.423, 2010).<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cBoas ideias n\u00e3o surgem do nada; s\u00e3o constru\u00eddas \u00e0 partir de um grupo de partes existentes, cuja combina\u00e7\u00e3o se expande (e, as vezes, se contrai) ao longo do tempo.\u201d (JOHNSON, 2011, p.34). Criatividade se propaga em rede, em a\u00e7\u00e3o rizom\u00e1tica, se perpetua em in\u00fameras dire\u00e7\u00f5es, n\u00e3o \u00e9 algo \u00fanico ou definitivo, \u00e9 uma constru\u00e7\u00e3o densa, pl\u00e1stica, capaz de se auto reconfigurar a cada nova sinapse, afinal, n\u00e3o \u00e9 a quantidade de informa\u00e7\u00f5es que define a a\u00e7\u00e3o criativa, mas a capacidade de liga\u00e7\u00e3o entre elas.<\/p>\n\n\n\n<p><em>Gra\u00e7as a nosso apetite por novidade, a inova\u00e7\u00e3o \u00e9 uma exig\u00eancia. N\u00e3o est\u00e1 restrita a apenas algumas pessoas. O impulso criativo vive no c\u00e9rebro de todos os serem humanos, e dele resulta uma guerra contra o repetitivo que motiva as mudan\u00e7as colossais que distinguem cada gera\u00e7\u00e3o da seguinte, cada d\u00e9cada da seguinte, cada ano do seguinte. O impulso de criar o novo \u00e9 parte de nossa constitui\u00e7\u00e3o biol\u00f3gica. Erguemos culturas \u00e0s centenas e novas hist\u00f3rias aos milh\u00f5es. (BRANDT, p.40, 2020)<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>O ato criativo faz parte de toda a\u00e7\u00e3o humana, \u00e9 inerente \u00e0 exist\u00eancia, \u00e0 evolu\u00e7\u00e3o. Propor o desenvolvimento dela em todas as suas potencialidades \u00e9 propor liberdade a cada indiv\u00edduo. Cercear seu desenvolvimento assim, torna-se um ato desumano.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>REFER\u00caNCIAS<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>ALENCAR, Eunice Soriano de. <strong>Criatividade: m\u00faltiplas perspectivas<\/strong>. Bras\u00edlia: Editora Universidade de Bras\u00edlia, 2009.<\/p>\n\n\n\n<p>BACICH, Lilian. MORAN, Jos\u00e9. (org.) <strong>Metodologias ativas para uma educa\u00e7\u00e3o inovadora: uma abordagem te\u00f3rico-pr\u00e1tica. <\/strong>Porto Alegre: Penso, 2018.<\/p>\n\n\n\n<p>BERZBACH, Frank. <strong>Psicologia para criativos: dicas e sugest\u00f5es de como manter a originalidade e sobreviver no trabalho. <\/strong>S\u00e3o Paulo: Editora G. Gilli, 2013.<\/p>\n\n\n\n<p>BRANDT, Anthony. <strong>Como o c\u00e9rebro cria: o poder da criatividade humana para transformar o mundo<\/strong>. Rio de Janeiro: Intr\u00ednseca, 2020.<\/p>\n\n\n\n<p>CARVALHO, Henrique. <strong>Double Diamond: o que \u00e9 esse processo de design<\/strong>. Publicado em 02 dez de 2019. Dispon\u00edvel em: &lt; https:\/\/vidadeproduto.com.br\/double-diamond\/&gt; Acesso em 02 jul. 2021.<\/p>\n\n\n\n<p>CASTELO FILHO, Cl\u00e1udio. <strong>O processo criativo: transforma\u00e7\u00e3o e ruptura<\/strong>. S\u00e3o Paulo: Blucher, 2015.<\/p>\n\n\n\n<p>CSIKSENTMIHALY, Mihaly. <strong>Flow: a psicologia do alto desempenho e da felicidade<\/strong>. Rio de Janeiro: Objetiva, 2020.<\/p>\n\n\n\n<p>GLEICK, James. <strong>Caos: a cria\u00e7\u00e3o de uma nova ci\u00eancia<\/strong>. Rio de Janeiro: Campus, 1991.<\/p>\n\n\n\n<p>JOHNSON, Steven. <strong>De onde v\u00eam as boas ideias.<\/strong> Rio de Janeiro: Zahar, 2011.<\/p>\n\n\n\n<p>MANSOURI, Ahmed. <strong>La Cr\u00e9ativit\u00e9 Architecturale, Application du mod\u00e8le GERO-SHI \u00e0 l\u2019\u00e9tude de la Cr\u00e9ativit\u00e9 chez Le Corbusier.<\/strong> Tese de Mestrado. Orientador: Prof. Ahmed Boudraa. Publicado em nov. 2001. Dispon\u00edvel em: &lt;https:\/\/www.researchgate.net\/publication\/ 301612136_ a_Creativite_Architecturale_ Application_du_modele_GERO-SHI_a_l%27 etude_de_la_Creativite_chez_Le_Corbusier&gt; Acesso em 02 jul. 2021.<\/p>\n\n\n\n<p>MORIN, Edgar<strong>. Introdu\u00e7\u00e3o ao pensamento complexo<\/strong>. Porto Alegre: Sulina, 2007.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Repertoire of pratice.<\/strong> Dispon\u00edvel em: &lt;https:\/\/newlearningonline.com\/learning-by-design\/glossary\/repertoire-of-practice&gt; Acesso em 02 jul. 2021.<\/p>\n\n\n\n<p>STERNBERG, Robert. <strong>Psicologia cognitiva.<\/strong> S\u00e3o Paulo: Cengage Learning, 2010.<\/p>\n\n\n\n<p>HIRAO, H. <strong>O processo criativo do projeto arquitet\u00f4nico e os referenciais projetuais no trabalho final de gradua\u00e7\u00e3o<\/strong>. In: FIORIN, E, LANDIM, PC, and LEOTE, RS., orgs. Arte-ci\u00eancia: processos criativos [online]. 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